Le pays aux trente Berlusconi : les déséquilibres médiatiques du géant sud-américain

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Reporters sans frontières a publié le 24 janvier 2013 un rapport intitulé “Brésil, le pays aux trente Berlusconi”, qui explore les importants déséquilibres et entraves caractérisant le paysage médiatique du géant sud-américain. Ce document s’appuie sur une enquête menée en trois étapes – Rio de Janeiro, São Paulo et Brasilia – et effectuée au cours du mois de novembre 2012.

L’hôte de la Coupe du monde 2014 et des Jeux Olympiques de 2016 offre un panorama médiatique à peine modifié trente ans après la dictature militaire (1964-1985). En dehors d’une dizaines de groupes se partageant la communication de masse et basés pour l’essentiel à Rio de Janeiro et São Paulo, le pays compte une multitude de médias régionaux, fragilisés par leur extrême dépendance à l’égard des centres de pouvoir au sein des États. Tant écrite qu’audiovisuelle, la presse brésilienne se maintient sous la tutelle financière des institutions ou organismes publics. Une tutelle qui mine directement son indépendance.

Cette situation est aussi vecteur d’insécurité. Cette même année 2012 aura fortement endeuillé les rangs de la profession avec cinq journalistes et blogueurs assassinés, plaçant le Brésil au cinquième rang mondial des pays les plus meurtriers. Deux journalistes réputés pour leur connaissance des questions sécuritaires ont également dû prendre le chemin de l’exil. La campagne des élections municipales d’octobre 2012 aura exacerbé les cas d’agressions et d’attaques commis contre des médias assimilés aux “vitrines” des hommes politiques qui les détiennent.

Le rapport s’attache aussi à rendre compte d’un autre obstacle à la liberté de l’information : l’inflation des procédures judiciaires assorties d’ordres de censure contre certains médias. Le cas du grand quotidien O Estado de São Paulo, dont les publications contrariaient les intérêts de la famille de l’ancien président José Sarney, est à cet égard le plus connu. Mais le couperet judiciaire touche de plus en plus la Toile et la blogosphère brésilienne, alors que les net-citoyens attendent avec impatience l’adoption d’une nouvelle régulation (Marco Civil) garantissant la neutralité du Net.

Au plan législatif toujours, l’enjeu d’une nouvelle loi sur la presse mobilise autant qu’il divise depuis la révocation de la loi du 9 février 1967, héritée du régime militaire, qui punissait de prison les journalistes récalcitrants et imposait aux contenus édités ou diffusés un contrôle préalable. Cet héritage a trop longtemps survécu à l’adoption de la Constitution démocratique de 1988. Un code électoral obsolète bride encore l’information à caractère politique. Un système de régulation des fréquences inadapté laisse dans l’illégalité nombre de radios communautaires, miroirs d’une société civile encore trop peu écoutée. Pour changer de cadre, il reste à obtenir l’assentiment d’une classe politique très présente dans la sphère médiatique et jalouse de ses intérêts.

Ces nouvelles règles, attendues des acteurs de l’information au Brésil, font partie des recommandations avancées par Reporters sans frontières en conclusion du rapport. Le pays ne manque pas d’atouts. Sa diversité peut devenir un modèle.

Lire le rapport: Le pays aux trente Berlusconi : les déséquilibres médiatiques du géant sud-américain

Brasil

O país dos trinta Berlusconi: os desequilíbrios mediáticos do gigante sul-americano

Repórteres sem Fronteiras publica, a 24 de janeiro de 2013, um relatório intitulado “Brasil, o país dos trinta Berlusconi”, que aborda os importantes desequilíbrios e obstáculos que caracterizam o horizonte mediático do gigante sul-americano. O documento se baseia em uma investigação realizada em três etapas – Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília – no decorrer do mês de novembro de 2012.

O anfitrião da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 apresenta um panorama mediático que pouco evoluiu nas últimas três décadas, desde o fim da ditadura militar (1964-1985). Para além de uma dezena de grupos, sediados principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, que repartem entre si a comunicação de massas, o país conta com uma profusão de meios de comunicação regionais, fragilizados devido à sua extrema dependência para com os centros de poder dos distintos estados. Quer a imprensa escrita quer a mídia audiovisual se mantêm sob a tutela financeira das instituições ou organismos públicos. Uma tutela que mina diretamente sua independência.

Essa situação traz consigo insegurança. O ano de 2012 deixou a profissão de luto, com cinco jornalistas e blogueiros assassinados, colocando o Brasil no quinto lugar dos países mais mortíferos. Dois jornalistas reputados por seus conhecimentos sobre questões de segurança pública também tiveram que se exilar. A campanha das eleições municipais de outubro de 2012 multiplicou os casos de agressões e de ataques cometidos contra os meios acusados de estar ao serviço de seus proprietários, políticos locais.

O relatório também indaga sobre um outro obstáculo à liberdade de informação: a proliferação de ações judiciais acompanhadas por ordens de censura contra certos meios. O caso do grande diário O Estado de São Paulo, cujas reportagens incomodam os interesses da família do ex-presidente José Sarney, é nesse âmbito o mais conhecido. Mas a mordaça judicial afeta cada vez mais a Web e a blogosfera brasileira, enquanto os net-cidadãos aguardam com impaciência a adoção de um novo quadro regulatório (Marco Civil) que garanta a neutralidade da internet.

Ainda no plano legislativo, a questão de uma nova lei de imprensa mobiliza tanto como divide, desde a revogação da lei de 9 de fevereiro de 1967, herdada do regime militar, que castigava com a cadeia os jornalistas recalcitrantes e impunha aos conteúdos editados ou difundidos um controle prévio. Essa herança sobreviveu à adoção da Constituição democrática de 1988, até aos dias de hoje. Um código eleitoral obsoleto continua reprimindo a informação de caráter político. Um sistema inadaptado de regulação das frequências condena à ilegalidade numerosas rádios comunitárias, espelho de uma sociedade civil ainda pouco escutada. Um novo enquadramento legal precisa do consentimento de uma classe política muito presente na esfera mediática e ciosa de seus interesses.

Essas novas regras, ansiadas pelos atores da informação no Brasil, estão incluídas nas recomendações propostas por Repórteres sem Fronteiras na conclusão do relatório. Em um país que não carece de trunfos, a sua diversidade pode se tornar um modelo.

Brazil

Thirty Berlusconis – South American giant’s flawed media landscape

Reporters Without Borders is today releasing a report entitled “Brazil, the country of 30 Berlusconis” that examines all of the shortcomings of this South American giant’s media landscape It is based on fact-finding visits to Rio de Janeiro, São Paulo and Brasilia in November 2012.

The media topography of the country that is hosting the 2014 World Cup and 2016 Olympics has barely changed in the three decades since the end of the 1964-85 military dictatorship.

As well as the ten or so major companies that dominate the national media and are mainly based in Rio de Janeiro and São Paulo, Brazil has many regional media that are weakened by their subordination to the centres of power in the country’s individual states.

The editorial independence of both print and broadcast media is above all undermined by their heavy financial reliance on advertising by state governments and agencies.

The media’s fragility encourages violence. Five Brazilian journalists and bloggers were murdered in connection with their work in 2012, making Brazil the world’s fifth deadliest country for media personnel.

Two journalists who specialize in police and public security issues also had to flee abroad last year, while the campaign for the October 2012 municipal elections saw an increase in threats and physical attacks on media regarded as showcases of the politicians who own them.

This report also examines another obstacle to freedom of information – the increase in judicial proceedings accompanied by censorship orders targeting individual news outlets. The best-known is the leading daily O Estado de São Paulo, the subject of a censorship order for threatening the interests of former President José Sarney’s family.

But the Brazilian Internet and blogosphere are also increasingly being targeted by court-ordered censorship, while netizens impatiently await the adoption of a new Internet law called the Marco Civil, which would guarantee Net neutrality.

A new media law has proved to be a divisive challenge ever since the press law introduced by the former military government in 1967– under which recalcitrant journalists were jailed and both print and broadcast media were subject to prior censorship – was belatedly repealed in 2009, more than two decades after the adoption of the democratic constitution.

An obsolete electoral law still limits political news and information, while ill-suited broadcast frequency regulation makes many community radio stations illegal, all to often leaving them to be ignored, like the grass-roots civil society organizations to which they are linked.

Changing the legislation would require the consent of the many politicians with media interests they jealously protect.

The new laws awaited by Brazil’s news providers are among the recommendations that Reporters Without Borders makes at the end of its report. The country has many strengths. Its diversity could become a model for other countries.

 

 

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